Ouvir com os olhos

Sim, o nosso corpo também se comunica. No período da pré-história, por exemplo, o homem ainda não havia desenvolvido totalmente a linguagem verbal. Como demonstrar ao outro que a caça fugiu? Como conquistar uma mulher? Como mostrar chateação, tristeza?  Usar o corpo para se comunicar era uma questão de sobrevivência.

Com o passar dos séculos, nos esquecemos de que o corpo também fala. É claro que esta comunicação será mais ou menos acentuada de acordo com a espontaneidade de cada um e da necessidade do momento, mas não podemos negar que é um ato involuntário.

J.J Copper, escritor que atuou no exército australiano ensinando oficiais a como interpretarem e usarem da melhor maneira a linguagem corporal, diz que toda comunicação “pessoa para pessoa” é dissipada por três caminhos de linguagem: verbal, vocal, e não vocal.

Verbal diz respeito a tudo que é dito, e corresponde a 7% da forma de como a comunicação é feita. A vocal, que é a forma como falamos (entonação e ênfase em certas palavras), tem 38% de participação e, finalmente, a não verbal engloba 55% desta comunicação.

Cada gesto que fazemos com o nosso corpo é uma palavra, e cada palavra pode ser interpretada de maneiras diferentes. Muitas vezes, nos esquecemos de prestar atenção no corpo do outro e nos focamos apenas em como interpretar cada informação e responde-la da maneira mais rápida e melhor possível.

A comunicação feita pelo corpo costuma ser muito mais emocional e verdadeira que a verbal. E o que isto tem a ver com nós, comunicólogos? Ora, prestar atenção no corpo pode mudar totalmente o rumo da comunicação e ajudar a compreender melhor o que o outro está realmente querendo dizer.

Cruzar os braços, por exemplo, é um sinal de defensiva. Quem sabe o seu interlocutor está apenas fingindo que está te ouvindo e no fundo não está entendo nada, ou aquele é um péssimo momento para qualquer conversa. Será que não é melhor então mudar um pouco o modo de falar, escolher outras palavras ou até esperar outro momento?

Vamos analisar rapidamente a obra “Jealousy and Flirtation”:

A moça a direita está com os braços na cabeça, o que demonstra abertura, liberdade, bem estar. O moço está com o corpo inclinado em sua direção, o que demonstra interesse; suas mãos estão bem espaçadas em cima de seus joelhos, o que demonstra tranquilidade.

Já a moça da esquerda está com a mão no queixo, mostrando apreensão, preocupação. Sua outra mão está segurando o vestido, o que simboliza insegurança e timidez.

Esta obra ficou famosa por representar o sentimento de inveja. Ela, assim como cada gesto, pode ser interpretada de várias maneiras e traduzida em diferentes palavras, mas, perceba que no geral as percepções não são muito diferentes.

Olhar um quadro é interpreta-lo é muito mais fácil do que perceber esses gestos no desenrolar das comunicações, até por que eles mudam constantemente. Comece a reparar no modo como as pessoas gesticulam quando conversam com você, treine seu olhar para entendê-las melhor. Você certamente vai se surpreender com o que ouvir, ou melhor, ver!

Referências :  http://dicasderoteiro.com/2010/05/24/usando-a-linguagem-corporal-na-escrita/

(acesso em 04/09/2011)

WEIL, Pierre e TOMPAKOW, Roland. “O Corpo Fala: a linguagem silenciosa da comunicação não-verbal” . Editora Vozes, RJ , Petrópolis, 1998.

Gabriela Hopf

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