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Exemplo prático: Falha na relação empresa-funcionário

Uma curiosa situação ocorreu com um conhecido. Carlos estava com um amigo comprando uma entrada para um clube. Cada entrada custava R$ 30,00 e, assim, Carlos desembolsaria R$60,00 pelas duas entradas. Na hora de pagar, porém, o funcionário foi mais rápido:

– Num precisa pagar mais de uma entrada não moço. Eu passo os dois. (E, olhando para o colega) Você não viu nada disso! Não é pra contar pra ninguém, mas é que o clube andou dando uns desfalques comigo… E agora eles vão pagar!

Carlos e seu amigo entraram felizes por terem pagado apenas uma entrada. Quem não deveria ficar nada feliz com essa situação é o “comunicólogo”, que percebe claramente que há algo de errado na relação empresa-funcionário. Toda relação exige uma comunicação, uma troca de informações e o canal que media essa relação deve ser sempre de mão dupla. Afinal, o funcionário é apenas um elemento da empresa ou também o seu representante? Além de compor a empresa e fazê-la funcionar, o funcionário encarna muitas vezes o papel da empresa que é formado por seus valores, política e filosofia, refletindo uma imagem da mesma. Mais do que pertencer à empresa, o funcionário deve se sentir parte dela. E não foi isso o que ocorreu.

Se pensarmos bem, o clube provavelmente não perceberá a diferença da venda de algumas entradas a menos em seu orçamento. Ter dado um “desconto” ao Carlos foi uma forma do funcionário canalizar a raiva que sentia. Mas há outras coisas que ele pode fazer para denegrir a imagem da empresa, como espalhar esta ideia a outros tantos funcionários. Além disso, o funcionário deve se sentir satisfeito com o seu trabalho: isso lhe dará motivação para explorar todo o seu potencial e obviamente refletir uma boa imagem da empresa. De acordo com o Guia Vocês/SA-Exame – “As Melhores Empresas para Você Trabalhar do ano de 2008” a rentabilidade sobre o patrimônio das 150 empresas classificadas ultrapassa 18%, enquanto o retorno das 500 melhores listadas no anuário” Melhores e Maiores de 2008”, publicado pela revista Exame, gira em torno de 8%. Os dois índices trabalham com pesquisas de satisfação feitas com os funcionários. Logo, podemos dizer que quando mais satisfeito o funcionário estiver, maior a rentabilidade da empresa.

O melhor seria certamente ter cortado o mau pela raiz antes que essa situação ocorresse. Isso não significa que todos os dias o superior desse funcionário deveria pergunta-lo se a empresa o está tratando de maneira correta ou não, mas sim que os meios de comunicação interna estão sendo mal usados ou que não há uma abertura mínima do superior para conversar com o funcionário. Além desta conversa, o funcionário pode utilizar a caixa de sugestão do jornal mural ou a intranet. A sugestão ou reclamação deve ser processada, analisada e pensada para que o funcionário obtenha uma resposta o mais rápido possível. O superior do funcionário provavelmente não deu importância a sua insatisfação. Se o funcionário estivesse totalmente errado em seu comportamento e reivindicasse algo que a empresa jamais lhe daria provavelmente seria demitido depois de um processo de discussão e análise da situação, o que dificilmente ocorreria. Muitas vezes ele agrega algo positivo dando uma sugestão que pode surgir de uma insatisfação ou incômodo seu com a empresa. Ele é assim uma rica fonte de informações que, quando bem aproveitas, só trazem benefícios.

Referência:
http://revistavocerh.abril.com.br/noticia/conteudo_432191.shtml

Gabriela Hopf

Fazer História e Ouvir: Ações que Caminham Juntas

Bem-vindos de volta! Hoje traremos uma nova abordagem à arte de ouvir, passando pela história. Desculpem-nos pela qualidade do áudio e aproveitem o conteúdo.

 

O que a ação de ouvir tem a ver com a história da humanidade? Bom, todos sabem que, sozinho, o homem não faz nada. Foi preciso ouvir e ser ouvido para, por exemplo, migrar de um lugar a outro, descobrir qual a melhor época para o plantio, colheita e quais seriam as melhores estratégias de caça. Se cada um do grupo tivesse uma experiência positiva e não contasse aos demais, como poderíamos ter chego onde estamos hoje? A própria existência de um órgão cuja função é interceptar ondas sonoras e transformá-las em dados já é um sinal que ele não está no corpo humano por acaso.

As questões mudaram ao longo do tempo.  Hoje, discute-se, por exemplo, como tomar atitudes que equilibrem interesses opostos, como agir em situações extremas, firmar parcerias.  Todos têm o seu próprio modo de ver o mundo, mas muito dificilmente ele não terá nada em comum com o de alguém próximo. Imagine se as pessoas só agissem segundo os seus interesses?

Imagine se Nelson Mandela, quando foi eleito presidente em 1994, pensasse em fazer justiça a tudo que sofreu e instituísse um apartheid que segregaria os brancos? O futuro da África do Sul estaria fadado ao fracasso. Ao invés disso, Mandela soube amenizar todos os confrontos (não só entre brancos e negros como também entre tribos rivais) por meio de uma política pacificadora, que entendia a complexidade das relações e conseguia achar soluções que atendessem a todos. Mandela deixou de lado seus traumas e opiniões para ouvir alguém até então inimigo.

Não são somente os ouvidos de grandes figuras que fazem história. Todos nós construímos a nossa própria história, que fica ainda mais enriquecida quando formada por lembranças, conceitos que foram aprimorados ou aconselhados por outros. Não é uma tarefa fácil: temos que deixar de lado nossos preconceitos e conciliar nossas crenças e opiniões as dos outros, mas o resultado será sempre um aprendizado valioso. O homem terá sempre questões a discutir, pontos de vista que quer expor, basta existir alguém que saiba ouvir.

Gabriela Hopf